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Irmã Wanilda Melo Barbara, conselheira-geral da Congregação de Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino

02/12/2019

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Ela nasceu em Passos em 1950 e foi batizada na igreja católica como Wanilda Melo Barbara e é o nome religioso que escolheu quando fez sua Profissão Religiosa na Congregação das Irmãs Concepcionistas Missionárias do Ensino, que em Passos mantém o Colégio Imaculada Conceição (CIC) onde foi aluna e também já atuou. Irmã Wanilda é filha de Francisco Luiz Barbara e Maria Aparecida Melo Barbara.

Seus irmãos são Wagner de Melo Vasconcelos Barbara (falecido); Wanira; Wander; Wandira; Wania; Walter (falecido); Maria Antonia; Luiz Francisco e Ana Cecilia. Seu endereço atual é em Madri, na Espanha, mas ela tem rodado o mundo desempenhando a função para a qual foi designada: atualmente responde pelo setor de Missão Apostólica que envolve o “Agir” nos diversos lugares onde a Congregação se faz presente.

Sua função é a de colaborar com a equipe de Governo da Congregação para manter viva a chama da missão concepcionista, que é a de Evangelizar através da Educação. Entre uma viagem e outra o Entre Prosas conseguiu um tempinho da irmã para esta conversa.

Folha da Manhã – Como foi a sua formação?

Wanilda – Cursei o primário no Grupo Escolar Dr. Wenceslau Braz em Passos, depois o Grupo Escolar Professor José Cândido, em Araçatuba, SP. O Curso Ginasial foi no Colégio Imaculada Conceição, em Passos. Cursei o Magistério de primeiro grau também no CIC de Passos e posteriormente no Colégio Maria Imaculada, do Rio de Janeiro. Fiz o bacharelado e licenciatura em Letras - Português e Literatura, pela Universidade Gama Filho, Rio de janeiro. Cursei Antropologia da Vocação Cristã e Psicologia do profundo, pela Escola de Formação de Formadores, durante os anos de 1988 1992, em Porto Alegre e São Paulo. Também fiz o curso de Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte, 1992-1993. Fiz ainda o curso Superior de Teologia pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, Belo Horizonte, 1994 1998. E dois cursos de gestão: Gestão Estratégica em Instituições de Ensino pela Unisinos, São Leopoldo, RS em 2002 e Gestão integrada em Instituições de Ensino pela Unisinos, São Leopoldo, RS em 2003-2004. Além de vários cursos e congressos.

FM - Em quais escolas a senhora já atuou?

Wanilda - Depois de ingressar na Congregação, em 1968, após a etapa de formação, atuei no Colégio Maria Imaculada do Rio de Janeiro, no Colégio Madre Carmen Sallés de Brasília, Colégio Maria Imaculada de São Paulo, Colégio Regina Pacis de Belo Horizonte. Além dessas escolas acompanhei as duas Obras Sociais que tínhamos em Samambaia-DF e a Escola Santa Carmen Sallés de São Paulo. Estas últimas são obras que atendem a crianças carentes. É uma grande alegria poder participar dessa missão. Vivi experiências muito bonitas nessas realidades.

FM - A senhora está agora em uma nova atuação. Qual a importância desse cargo para a congregação?

Wanilda - Minha função atual, como todas as demais na Congregação, é uma função de serviço. Atualmente respondo pelo Setor de Missão Apostólica que envolve o “Agir” nos diversos lugares onde a Congregação se faz presente. Minha função é a de colaborar com a equipe de Governo da Congregação para manter viva a chama da missão concepcionista, que é a de Evangelizar através da Educação. Ao fundar a Congregação Santa Carmen Sallés quis atender às necessidades de sua época, procurando oferecer às crianças e jovens, evangelização e cultura, sobretudo à mulher, que ficava à margem da sociedade.

FM – Em quais países a congregação atua?

Wanilda - Hoje a Congregação está presente em 16 países, atendendo principalmente escolas na Espanha, Brasil, Venezuela, República Dominicana, República Democrática do Congo, República do Congo, Guiné Equatorial, Camarões, México, Estados Unidos, Japão, Coreia, Filipinas, Índia e Indonésia. Em Roma-Itália atendemos a uma Residência de Peregrinos,

FM - Como é o dia a dia da senhora, uma vez que está sempre viajando a serviço?

Wanilda - Nosso estilo de vida se concretiza em uma comunidade. Atualmente, vivo na comunidade da Sede Geral, em Madri, formada pelas irmãs da equipe do Governo Geral da Congregação, que tem como Superiora Geral M. Maria Isabel Moraza. Na equipe de Governo somos 6 irmãs e nossa comunidade é constituída por nove irmãs. Diariamente dedicamos um tempo à oração, participamos da Eucaristia diária e cuidamos também da rotina da casa. Na função que exerço, dedico meu tempo na preparação das atividades, reuniões que temos, ao estudo e acompanhamento da missão que se realiza nas obras. Passei um tempo dedicando-me a conhecer as obras da Congregação e para isso realizei várias viagens por alguns países. Neste mês de novembro e dezembro Irmã Rosa Kang, coreana, que é da equipe de governo e eu estamos visitando as escolas que temos na Espanha para conhecer melhor seu funcionamento.

FM - Por quais países já passou?

Wanilda - Antes de fazer parte da equipe de Governo Geral da Congregação, estive na Venezuela para uma reunião, participei de um Congresso de Educação Católica no Peru, de um Encontro sobre a Evangelização em nossas Obras na República Dominicana e naquela ocasião aproveitamos para conhecer também a missão que tínhamos no Haiti. Também conheci Roma, onde estive por várias vezes para cursos e reuniões e conheci também um pouco da Itália. Como membro do governo geral, visitei, no início desde ano, Camarões, República Democrática do Congo, República do Congo e Guiné Equatorial, na África. Visitei também Coreia, Japão e Filipinas, onde temos comunidades e fui conhecer Timor Leste. Essas visitas me possibilitaram conhecer o trabalho da Congregação nesses países e aproximar-me mais dessas realidades tão variadas. Ao mesmo tempo me faz reconhecer, cada vez mais, a necessidade de educação em tantos lugares e valorizar o esforço de tantas irmãs que deixam seu país para exercer a missão onde a Igreja necessita.

FM - Como é morar longe do seu país de origem?

Wanilda - Hoje em dia as distâncias não assustam tanto, pois a internet aproxima muito as pessoas. Como tive oportunidade de passar os dois primeiros anos de formação para a vida religiosa, na Espanha e depois estive por várias vezes participando de reuniões da Congregação neste país, sinto-me bem familiarizada com a realidade. Às vezes sinto falta de coisas próprias do Brasil como, por exemplo, do arroz com feijão, do cafezinho ao nosso estilo, mas não é nada que dificulte muito. Há também muitos ganhos, como a experiência de viver em um país onde não se tem que preocupar com a violência e se pode andar tranquila, onde a saúde pública funciona, onde a educação está bem atendida, etc.

FM – O que mais a surpreende nesta caminhada?

Wanilda - Uma coisa que me impressiona e surpreende é o espírito de solidariedade do povo. Em todas as paróquias, em muitas empresas e outras Instituições há colaboração e ajuda, sobretudo aos pobres, imigrantes e refugiados. O voluntariado para ações missionárias, mesmo em países pobres é grande. Cáritas e outras organizações estão fortemente presentes. Há uma preocupação pelo “outro”. Esta consciência é bastante desenvolvida nas escolas. Por exemplo: acabamos de viver o mês de outubro proclamado pelo Papa Francisco como mês extraordinário das missões e era notável o envolvimento dos alunos nessa causa, recolhendo donativos para as missões nos diversos lugares do mundo. Podia-se perceber esse compromisso também nas Igrejas e na cidade através de posters e de comunicações pela TV, rádio e mídias sociais.

FM – Como é morar na Espanha?

Wanilda - Na verdade, viver em um país como Espanha, depois de ter experimentado outras realidades tão diferentes é uma oportunidade de aprender, de começar de novo e acredito que isto é um bem não só pessoal, mas também para o desenvolvimento da missão que realizo. Vivemos em um mundo em constante mudança e aprender é um imperativo de nosso tempo.Além disso é uma oportunidade que Deus nos oferece de tomar consciência de que somos seres inacabados e por isso temos que estar sempre abertos ao que vai nos completando cada dia. Esse é um aprendizado que trago comigo desde a infância, pois minha mãe, que também foi aluna concepcionista, sempre dizia que era importante aprender algo novo e que deveríamos aproveitar as oportunidades de cada dia.

FM - De quanto em quanto tempo volta ao Brasil, principalmente a Passos?

Wanilda - O tempo normal de uma visita de férias é a cada dois anos para quem está em outro país, mas pode ocorrer outros trabalhos dentro desse período, que exijam outras viagens ao país de origem e, é claro, que nessas ocasiões se aproveita para rever também a família.

FM - Quais os locais e situações mais difíceis pelos quais a senhora já passou?

Wanilda - Minha vida foi sempre uma constante superação de desafios. Quando eu pensava estar preparada para assumir uma função, outra nova se apresentava e fui aprendendo a conviver com esta realidade, superando os temores do “novo”. Mas, é claro, que há momentos em que não se vê claras as soluções para as dificuldades e se experimenta impotência. Também pude viver momentos como esses. É quando a fé se torna a resposta e Deus age. Então deixamos de contar com nossas forças para nos colocarmos nas mãos de quem realmente conduz a nossa história. A maior dificuldade experimentada por mim, mas acredito que seja também de outras, é ver tantas necessidades de nosso povo, ver tantas crianças sem escolas e não poder atendê-las, porque dependemos de recursos financeiros que nem sempre dispomos, já que a educação em nosso país é tão cara! Saber que a presença de irmãs é indispensável para que a missão concepcionista siga adiante e viver este momento de carência de vocações. Saber que há tantas crianças sem escolas e não poder atender a todas as que nos procuram.

FM - Dentro do cargo em que a senhora atua, o que a possibilita colocar em prática tudo o que aprendeu até aqui e no que a senhora acredita como religiosa?

Wanilda - Vejo a vida como uma escada. Para subir um degrau é indispensável transpor os antecedentes. Assim que a aprendizagem do dia a dia acumulada, vai servindo de patamar para avançar e superar os desafios de cada momento. Em minha vida religiosa todas as experiências foram me fortalecendo na fé, no compromisso e na certeza de que percorri o caminho para o qual o Senhor me chamou. Quando olho para trás fico feliz e tenho a sensação de que tudo passou muito rápido e com sentido. Tenho muita gratidão para com Deus, para com meus pais e minha família de quem sempre recebi carinho, estímulo e apoio, para com a Congregação e comunidades pelas quais passei, para com as pessoas com as quais tive a alegria de conviver. Tudo foi um contínuo aprendizado e por tudo dou graças a Deus.

FM - Ainda tem algum outro cargo superior que a senhora pensa em assumir?

Wanilda - Não. Na Vida Religiosa não há conquista de patente ou cargo superior. Tudo é uma missão e um serviço. Consagrar-se a Deus é deixar a vida nas mãos Dele e Ele vai dispondo da gente como quer. Tudo o que realizei, funções que desenvolvi e responsabilidades assumidas, foram unicamente para responder ao apelo de Deus e às necessidades da Congregação e das pessoas. Sinto-me impelida a repetir o que nos diz o texto evangélico de Lc 17,7-10 - “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.” Sei que Deus me concedeu muitos dons e procuro colocá-los a serviço do Seu Reino em cada lugar onde estou.

FM - A senhora já teve a oportunidade de estar com o Papa?

Wanilda - Tive várias oportunidades de ver o Papa, tanto no Brasil como em Roma, mas claro que de longe. Por duas vezes estive mais perto: uma delas foi durante um Congresso em Roma e outra vez foi um presente da Providência Divina. Eu estava em Roma para um curso e terminando o mesmo, na véspera de retornar ao Brasil, disse às irmãs da comunidade que ia à Basílica de São Pedro para pedir a benção ao Papa. Elas riram. Porém chegando à Basílica o Papa ia celebrar uma missa por um Cardeal e pude entrar na pequena capela e lhe pedir a benção, de fato. Era o Papa João Paulo II.

Fonte: Jornal Folha da Manhã