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O porteiro

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Não havia no povoado pior ofício do que aquele: porteiro do clube. Mas, que outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, e não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

Um dia, entrou como gerente do lugar um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. Fez mudanças e chamou os funcionários para novas instruções. Ao porteiro, disse:

Sem mais, deu meia-volta e foi embora.

O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Então lembrou que no clube, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele de pronto a arrumava, com cuidado e com carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. Mas, só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Porém, poderia usar o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo realizar a compra. E assim o fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e lhe disse:

Ele aceitou. Voltou a montar sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: "Não disponho de tempo para viajar". Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas. Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam. Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas, e, alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão, transformando o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.

Todos estavam contentes e compravam dele. Já não viajava, os fabricantes é que lhe enviavam seus pedidos. E ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens do que gastar dias em viagens.

Então ele lembrou de um amigo que era torneiro e ferreiro e pensou que ele poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo - por que não? - as chaves de fenda, os alicates, as talhadeiras... E depois, os pregos e os parafusos.

Em poucos anos, o nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia, decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da sua inauguração, o prefeito entregou-lhe as chaves da cidade, abraçou-o e disse-lhe:

Geralmente as mudanças são vistas como adversidades. Mas, as adversidades podem ser bênçãos, porque as crises estão cheias de oportunidades.